YOGA E MEDITAÇÃO EM CAMPINAS

14 de mai de 2015

Sofrimento e Libertação


Por Vanessa Malagó

Nas palavras de Pedro Kupfer (2001), há algo que é comum a todos os homens: a potencialidade de nos conhecer e de mergulhar no oceano da consciência.  “O Yoga é o instrumento que usamos para dar esse mergulho: ao mesmo tempo o ato de mergulhar e o lugar aonde chegamos.”

Os Yoga Sutras de Patanjali, um dos mais importantes textos sobre o yoga, nos oferece um mapa para embarcarmos nessa viagem rumo ao autoconhecimento. Como comentamos no artigo anterior sobre os Yoga Sutras, seu entendimento não depende de um exercício intelectual, mas muita prática. Olhando o mapa de uma cidade não podemos dizer que a conhecemos. É preciso andar por suas ruas, explorá-las, conhecer as pessoas. Assim, os Yoga Sutras são apenas um guia, o conhecimento vem da experiência direta.

Os Yoga Sutras tratam de um tema presente em diversas filosofias indianas: o sofrimento. A experiência humana, de qualquer natureza que seja, envolve sofrimento. “Tudo é sofrimento para o sábio”, afirma Patanjali (Yoga Sutra, II-15).
 Taimini comenta sobre isso: “... ao homem do mundo, imerso em sua busca ilusória do prazer ou do poder, a vida pode parecer uma mistura de prazeres e dores, alegrias e tristezas... mas para o homem sábio sua felicidade ilusória não passa de uma pastilha açucarada, contendo oculta em seu interior apenas dor e sofrimento.” (Taimini, 2001)

Essa miséria existencial não ocorre em função de condições materiais, econômicas ou sociais difíceis. Mesmo aqueles que têm uma vida próspera estão sujeitos a ela. “O homem pode perceber que, mesmo quando todas as suas necessidades e perturbações físicas, mentais, morais e financeiras forem eliminadas, permanece sempre nele uma espécie de inquietude e de agitação interior, uma instabilidade, uma insatisfação, uma falta, seja qual for a extensão de seus sucessos exteriores”. (Michael, 1976).

O problema reside no fato de que não se pode saborear um estado de felicidade perpétua, a felicidade é sempre transitória.

Essa pode parecer uma visão bastante pessimista da existência , mas Patanjali vai além disso. Ao longo do texto vamos aprender que o sofrimento tem causa e que há um meio de por um fim a ele. O yoga é o método que Patanjali apresenta para libertar-nos do sofrimento.

E o que causa a dor e sofrimento humanos? Esse é o tema que discutiremos em nosso próximo artigo. Enquanto isso, convidamos você a investigar sobre essa questão e realizar a prática sugerida abaixo:


PRÁTICA

Durante sua prática de meditação, observe o fluxo espontâneo dos seus pensamentos. Deixe a mente estar, sem interferir. Deixe-a seguir seus impulsos e tendências sem restrições. Apenas observe-a, sem fazer nenhum tipo de julgamento ou crítica e procurando também não se deixar levar pelos pensamentos e envolver-se com eles. Um pensamento chega, você o observa e então deixa que vá embora. Esteja ciente de cada pensamento, colocando-se como uma testemunha imparcial desse processo.
Perceba o que chama a atenção de sua mente, veja se há padrões de pensamentos, se os pensamentos se repetem, se eles possuem alguma qualidade perturbadora.

Você pode também, nas atividades em geral do seu dia-a-dia, observar o quanto está presente naquilo que realiza. O que lhe tira desse estado de presença? O que lhe distrai? Observe os pensamentos que vem a sua mente.

Boas práticas e até a próxima semana!


Referências:

KUPFER, Pedro – Yoga Prático – 3ª.Ed., Fundação Dharma – 2001
MICHAEL, Tara – O yoga, Zahar Editores, 1976
TAIMNI – A ciência do Yoga (Comentários sobre os Yoga-Sutras de Patanjali à luz do Pensamento Moderno) –  2ª. Ed., Editora Teosófica - 2001